Banco Central do Brasil diz ‘não’ para reserva de BTC

O Banco Central do Brasil reprovou a proposta de criar uma reserva de Bitcoin no Brasil.
A fala do BC ocorreu durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (20/8), na Câmara dos Deputados.
Dessa forma, apesar do entusiasmo de parlamentares e representantes do setor privado, o regulador descartou a possibilidade de incluir a criptomoeda entre seus ativos de reserva.
De acordo com Luis Guilherme Siciliano, chefe do Departamento de Reservas Internacionais da autarquia, a função de uma reserva internacional é garantir estabilidade em momentos de crise, e não apostar em ativos de risco.
Assim, ele ressaltou que o Bitcoin apresenta alta volatilidade, o que o torna incompatível com a política de reservas do país.
‘As reservas precisam oferecer segurança, liquidez e previsibilidade. O Bitcoin não cumpre esses requisitos’, disse.
Além da questão da volatilidade, Siciliano lembrou que não há previsão legal que permita incluir criptomoedas na carteira oficial do Banco Central.
Dessa forma, ele também destacou que a credibilidade da política monetária poderia ser afetada caso ativos voláteis fossem incorporados.
Reserva de BTC? Ministério da Fazenda admite relevância, mas pede cautela

Na mesma audiência, Daniel Leal, representante do Ministério da Fazenda, afirmou que o governo não é contrário ao Bitcoin.
No entanto, ele defendeu que ainda é cedo para adotá-lo como parte das reservas.
De acordo com ele, um fundo soberano poderia ser uma alternativa mais adequada.
Já que tem objetivos de investimento de longo prazo, mas dependeria de espaço orçamentário e análise fiscal.
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Além disso, Leal ressaltou que, mesmo em um fundo, a diversificação seria essencial. Se 5% fossem destinados ao Bitcoin, os 95% restantes precisariam estar em ativos estáveis.
O que exigiria grande esforço fiscal do Tesouro.
Setor privado defende avanço da pauta
Para o mercado, o debate representa um passo importante. Pedro Xavier, CEO da Mannah, afirmou que a proposta é simbólica, mas ajuda a amadurecer a discussão sobre o papel do Bitcoin no Brasil.
Ele destacou que, em um cenário de sanções internacionais e fragilidade do dólar, o país poderia se beneficiar de alternativas.
Já Diego Kolling, head de estratégia de Bitcoin no Méliuz, reforçou que a criptomoeda funciona como um ativo resistente à censura e que, no futuro. Sua adoção poderá se tornar inevitável.
O deputado Eros Biondini (PL-MG), autor do projeto de lei que propõe a reserva soberana em Bitcoin, celebrou o avanço da pauta no Legislativo.
Além disso, ele afirmou que o Brasil tem a chance de estar na vanguarda dessa transformação.
Apesar da recusa do Ministério da Fazenda e do Banco Central, o projeto seguirá tramitando na Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado para avaliação.
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