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Cripto Enfrenta um Problema de Comunicação

O mercado de criptomoedas não precisa de direitos de nomeação de estádios, anúncios no Super Bowl ou campanhas brilhantes com celebridades. Ele apenas precisa divulgar seus números muito credíveis, afirmam Aubrey Strobel e Elena Nisonoff.

29 de jul. de 2025, 4:37 p.m. Traduzido por IA
(Danny Nelson/Modified by CoinDesk)
Miami HEAT and Miami-Dade County cut short a 19-year FTX naming rights deal after the company filed for bankruptcy in 2022.

No início deste mês, NPR publicou uma manchete, “Por que há tanto entusiasmo em torno de uma criptomoeda chamada stablecoin.”

Se você deseja entender a posição das criptomoedas em relação à mídia tradicional em 2025, comece por aí. A matéria foi uma introdução básica sobre uma inovação com uma década, que liquida quase 27 trilhões de dólares anualmente, superando o volume anual combinado de transações da Visa e Mastercard. As stablecoins não são novidade, assim como não é a falta de curiosidade da mídia em relação a elas. Foi a prova mais recente de que, aos olhos da mídia tradicional, o cripto permanece suspenso em um estado de novidade perpétua.

A História Continua abaixo
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A lacuna entre o desempenho do mercado de criptomoedas e as narrativas divulgadas sobre ele revela uma falha comunicacional mais profunda. Isso mantém o público no escuro sobre avanços transformadores em um US$4 trilhões indústria.

Hoje, o Bitcoin valorizou-se mais de 110% no acumulado do ano. Os ETFs de Bitcoin listados nos EUA atraíram mais de US$ 50 bilhões em entradas líquidas, marcando um dos lançamentos de ETF mais bem-sucedidos da história. A adoção global de criptomoedas ultrapassou 600 milhões de usuários, com países como Turquia, Argentina e Emirados Árabes Unidos relatando que quase um em cada três adultos possui cripto.

Produtos de consumo também estão em ascensão. O mercado de previsão descentralizado Polymarket registrou mais de US$ 100 milhões em volume somente nas eleições dos EUA de 2024, e supostamente está no caminho certo para uma avaliação de US$ 1 bilhão. Por trás das cenas, os canais on-chain estão discretamente impulsionando uma nova infraestrutura financeira global.

No entanto, as narrativas da mídia convencional não conseguiram acompanhar. De acordo com um relatório segundo a Perception, enquanto o Bitcoin apresentou desempenho recorde no segundo trimestre de 2024, o The Wall Street Journal publicou apenas dois artigos sobre Bitcoin e criptomoedas. O Financial Times e o The New York Times, respectivamente, publicaram apenas onze, em comparação com 141 pela CNBC e 65 pelo Barron’s.

Essa falta de cobertura nos principais veículos financeiros significa que uma das inovações financeiras e tecnológicas mais importantes do nosso tempo não está chegando a investidores, formuladores de políticas e ao público.

A lacuna entre os sinais do mercado e a cobertura no universo cripto representa uma responsabilidade existencial e possui consequências políticas, regulatórias e culturais graves. Para muitos americanos, a cripto ainda é um espetáculo – vista como volátil, pouco séria e não confiável. A legislação é baseada tanto na percepção quanto nos princípios. Os mercados respondem às narrativas tanto quanto aos números, e os eleitores formam opiniões por meio das manchetes.

Este não é apenas um problema de branding, mas uma questão estrutural enraizada em como o Bitcoin e as criptomoedas permitiram que o mundo contasse sua história – e, frequentemente, a entendesse de forma equivocada. A indústria não apenas perdeu a confiança pública durante o último ciclo. Ela perdeu o rumo. Ao buscar apelo em massa, o setor optou pelo espetáculo em detrimento da substância: com direitos de nomeação de estádios, anúncios no Super Bowl e campanhas com celebridades. Ela tomou emprestada a legitimidade, em vez de cultivar a sua própria. Quando FTX, BlockFi e Celsius implodiram, o público não tinha uma narrativa coerente para se apoiar.

Hoje, o sucesso do Bitcoin está fundamentado em sinais reais do mercado – não em projeções, ideais ou hipóteses. Os dados mostram que a criptomoeda está prosperando. Como qualquer classe de ativos séria, sua credibilidade é comprovada pelos números. O papel da comunicação em criptomoedas agora não é criar uma narrativa, mas usar e interpretar aquela que o mercado já está revelando.

Os obstáculos para uma cobertura mais clara são persistentes. Histórias destacando “Presidencial” moedas meme retratou a tecnologia como um brinquedo político. O envolvimento do Bitcoin e das criptomoedas nas eleições de 2024 aprofundou ainda mais sua inserção nas guerras culturais partidárias e o estabeleceu como um ponto de debate partidário na mídia tradicional.

Como a internet, o Bitcoin não possui ideologia ou política. Suas origens propuseram um sistema baseado não na confiança, mas na matemática, código e consenso. Emergindo após a crise financeira, quando a confiança nas instituições centrais estava abalada, mas intacta. Gradualmente, a eleição de 2016, a pandemia e o foco crescente na desigualdade de riqueza aprofundaram o ceticismo público. Nesse contexto de erosão, o Bitcoin propôs uma alternativa: um sistema baseado não na confiança, mas nos valores da internet e nos ideais modernos de autodeterminação, acesso global e propriedade direta.

A criptomoeda está estabelecida e é legítima o suficiente para contar sua própria história. Ela não precisa de uma reformulação ou de mais brilho. Precisa de fatos fundamentados no que o mercado já demonstrou ser verdade.

Este não será o trabalho de uma única campanha ou parte interessada. Requer o trabalho longo e dedicado de gestão narrativa por parte de construtores, usuários e comunicadores que possam assumir e executar a tarefa de contar nossas próprias histórias.

Se nós não o fizermos, outros o farão. E eles continuarão errando.

Nota: As opiniões expressas nesta coluna são do autor e não refletem necessariamente as da CoinDesk, Inc. ou de seus proprietários e afiliados.