Veja o que os analistas de Wall Street estão dizendo sobre a Strategy após a enorme perda no quarto trimestre
Os números não foram bons, mas a perda do quarto trimestre não indica uma crise de liquidez nem a necessidade de vendas de bitcoin, afirmam os analistas.

O que saber:
- Analistas de Wall Street afirmam que as enormes perdas do quarto trimestre da Strategy são, em grande parte, encargos contábeis não monetários relacionados à queda do preço do bitcoin e não indicam uma crise de liquidez ou venda forçada iminente.
- Com aproximadamente 713.500 bitcoins no valor de quase US$ 50 bilhões contra cerca de US$ 8,2 bilhões em dívida conversível e US$ 2,25 bilhões em caixa, analistas afirmam que o balanço da Strategy pode suportar uma fraqueza prolongada do bitcoin sem violar os termos da dívida.
- Tanto a TD Cowen quanto a Benchmark mantêm classificações de Compra, vendo a Strategy como um veículo alavancado para exposição ao bitcoin.
Analistas de Wall Street que cobrem a Strategy (MSTR) concordam amplamente em um ponto após os resultados do quarto trimestre divulgados na quinta-feira: as perdas em destaque parecem dramáticas, mas não indicam uma crise de liquidez ou venda forçada de bitcoin.
A Strategy reportou uma perda operacional de US$ 17,4 bilhões e uma perda líquida de US$ 12,6 bilhões no trimestre, números decorrentes principalmente de um ajuste contábil mark-to-market não monetário relacionado à queda do preço do bitcoin
As ações estão em alta de 21% na sexta-feira enquanto o bitcoin sobe desde a mínima de ontem de $60.000 para voltar a ficar acima de $70.000.
Os dois analistas concordam que o debate central gira em torno da solvência, e não da lucratividade. A Strategy detém 713.502 bitcoins, avaliados em quase US$ 50 bilhões aos preços atuais, contra cerca de US$ 8,2 bilhões em dívida conversível. O analista da Benchmark, Mark Palmer, afirmou que a empresa só enfrentaria um verdadeiro estresse no balanço patrimonial se o bitcoin caísse abaixo de US$ 8.000 e permanecesse nesse patamar por anos. A administração enfatizou na teleconferência de resultados que nenhuma de suas dívidas possui cláusulas restritivas ou gatilhos relacionados ao preço do bitcoin ou ao seu custo médio de aquisição.
Lance Vitanza, da TD Cowen, também focou na durabilidade da estrutura de capital. Ele argumentou que a Strategy foi construída para amplificar a volatilidade do bitcoin por design, com o capital comum negociado a aproximadamente 1,5 vezes as oscilações do bitcoin. Essa alavancagem funciona nos dois sentidos. Vitanza afirmou que a reserva de caixa da empresa de US$ 2,25 bilhões e os vencimentos de dívida escalonados significam que não há um cenário razoável em que a Strategy seria forçada a vender bitcoin no curto prazo, mesmo que os preços permaneçam deprimidos.
Onde os analistas divergem está menos relacionado ao risco e mais à forma de enquadramento. A TD Cowen enfatizou o papel da Strategy como um “motor de crédito digital”, destacando seu crescente negócio de ações preferenciais e a liquidez de suas ações preferenciais STRC, que pagam um dividendo anualizado de 11,25%. A Benchmark atribuiu mais peso ao caminho de preço de longo prazo do bitcoin e à opcionalidade embutida no patrimônio da Strategy caso o bitcoin se valorize.
Ambas as empresas permanecem otimistas em relação à ação. A Benchmark reiterou a classificação de Compra com um preço-alvo de US$ 705, baseado em um modelo de soma das partes que assume que o bitcoin atingirá US$ 225.000 até o final de 2026. A TD Cowen também manteve a classificação de Compra, argumentando que a Strategy continua sendo uma das maneiras mais eficientes para investidores obterem exposição alavancada ao bitcoin fora dos ETFs, embora não tenha divulgado um preço-alvo específico em sua nota.