‘Ativos Permissionless’: Plano de Tokenização em 3 Fases da Robinhood para Disruptar o TradFi
Robinhood está trabalhando em desenvolvimentos de infraestrutura, afirmou A.J. Warner, da Offchain Labs, incluindo negociação 24/7 e aproveitando tecnologias como Arbitrum Stylus para compatibilidade.

O que saber:
- Robinhood está em um roteiro de três fases para criar um ecossistema financeiro sem permissões, começando com uma oferta de ações tokenizadas na Europa.
- A fase final visa tornar os tokens de ações totalmente sem permissão, permitindo que os usuários os utilizem em aplicações descentralizadas.
- A Robinhood está trabalhando em desenvolvimentos de infraestrutura, incluindo negociação 24/7, e aproveitando tecnologias como Arbitrum Stylus para compatibilidade.
Buenos Aires — A gigante fintech Robinhood (HOOD) está preparando o terreno para impulsionar o sistema financeiro tradicional para um ecossistema sem permissões, segundo o chefe de estratégia da empresa de desenvolvimento de blockchain Offchain Labs.
A oferta recente de ações tokenizadas da corretora na Europa, que já inclui quase 800 valores mobiliários negociados publicamente e está prestes a adicionar private equity, é o primeiro passo de um roteiro mais longo, dividido em três fases, para criar um ecossistema financeiro sem permissões, afirmou A.J. Warner, diretor de estratégia da Offchain Labs, em entrevista à CoinDesk à margem do Devconnect em Buenos Aires.
Offchain Labs é a empresa por trás da Arbitrum, a rede layer-2 sobre a qual a Robinhood construiu sua oferta de ações tokenizadas.
A fase final do plano da Robinhood termina com os tokens de ações tornando-se ativos totalmente permissionados que os usuários podem retirar para carteiras externas e utilizar em aplicativos descentralizados, continuou Warner.
Hoje, na fase 1, os usuários podem comprar essas ações tokenizadas através dos aplicativos da Robinhood dentro da UE, mas não podem transferi-las para fora dela. Os tokens estão confinados ao aplicativo da Robinhood, sem acesso a plataformas ou protocolos externos.
A Fase 2 concentra-se em infraestrutura, disse Warner. Utilizando a Bitstamp, que a Robinhood adquiriu por US$ 200 milhões no início deste ano, a empresa trabalhará para viabilizar a negociação 24 horas por dia, 7 dias por semana, de tokens de ações, espelhando a natureza contínua dos mercados cripto e rompendo com as janelas tradicionais do mercado.
A mudança mais significativa ocorrerá na fase 3, quando Warner afirma que os tokens se tornarão permissionados, ou seja, os usuários e os protocolos de finanças descentralizadas poderão utilizá-los livremente. Isso significa que um usuário poderá comprar ações tokenizadas da Apple na Robinhood, retirá-las e usá-las como garantia em um aplicativo descentralizado de empréstimos, como o Aave.
Isso representaria uma mudança fundamental na forma como os investidores de varejo interagem com ações. Em vez de estarem restritos às plataformas de corretagem e serem processados por câmaras de compensação, as ações se tornariam blocos de construção programáveis em um sistema financeiro global e aberto.
Warner enquadrou isso como uma estratégia de longo prazo. “A maneira como eles descrevem a fase 3,” disse ele, “é para que os ativos sejam permissionless e tenham a capacidade do usuário de interagir com aplicações DeFi.”
Um grande obstáculo técnico para que isso aconteça é a compatibilidade. A maior parte da infraestrutura financeira, como o motor de correspondência e os sistemas de contabilidade da Robinhood, é construída em C++ ou Rust. Essas linguagens não funcionam de forma nativa na Ethereum, onde os contratos inteligentes são escritos em Solidity. Reescrever esses sistemas seria um processo lento e arriscado.
A Offchain Labs, acrescentou Warner, desenvolveu o Arbitrum Stylus para permitir que os desenvolvedores escrevam contratos inteligentes em linguagens de programação tradicionais como C++, Rust e Python, mantendo a compatibilidade com a Ethereum Virtual Machine (EVM).