Tokenização: o próximo catalisador das criptomoedas?

No mundo das blockchains, não existe tédio. Veja o que você precisa saber esta semana:
Os mercados de cripto continuaram de lado. Veja também: a Universidade Harvard anunciou a compra de ETH, e foram lançados dois ETFs de Sui spot com recompensas de staking.
Por que a tokenização pode ser o próximo catalisador das criptomoedas. Os ativos tokenizados vêm registrando recordes históricos, com investimentos pesados de grandes instituições de Wall Street.
A porcentagem de usuários de cripto que afirmaram possuir stablecoins. E outros dados interessantes do mundo cripto.
BYTES DO MERCADO
Em meio à turbulência nos mercados de cripto, quais são alguns pontos positivos?
Por mais uma semana, sem um catalisador claro para impulsionar os preços, o bitcoin oscilou dentro de uma faixa relativamente estreita em torno dos US$ 67 mil, enquanto o ETH vem sendo negociado logo abaixo de US$ 2 mil.
Na quinta-feira, o BTC chegou a cair brevemente abaixo de US$ 66 mil, com o aumento das tensões geopolíticas assustando os mercados.
Mas a queda não impediu que as maiores empresas de tesouraria em cripto continuassem comprando. Na semana passada, a Strategy adquiriu mais 2.486 BTC (avaliados em cerca de US$ 186 milhões) e a BitMine comprou 45.759 ETH (cerca de US$ 91 milhões).
Outro ponto positivo? Os enormes volumes recentes de negociação de futuros perpétuos de criptomoedas, que permitem operar uma vasta gama de resultados, incluindo a alta dos preços, a queda e a movimentação de mercados não relacionados a cripto, como metais preciosos.
Veja as outras principais notícias desta semana.
Harvard vende BTC e compra ETH
A Harvard Management Company, que gerencia o fundo patrimonial de mais de US$ 50 bilhões da instituição, se desfez de algumas de suas cotas de ETFs de BTC no final do ano passado e comprou cerca de US$ 86 milhões em ETFs de ETH, de acordo com um novo registro na SEC.
A universidade, que chegou a deter cotas de BTC no valor de cerca de US$ 350 milhões, divulgou uma posição reduzida em ETFs da principal criptomoeda, com valor de mercado aproximado de US$ 265,8 milhões no final do ano.
É provável que a universidade esteja “fazendo uma transação de valor relativo, acreditando que o ETH esteja subvalorizado em relação ao BTC”, como explicado por um analista ao portal Decrypt. A mudança também pode representar um compromisso mais profundo com as criptomoedas como classe de ativos, em vez de focar apenas no bitcoin.
“[Os gestores de fundos de Harvard] podem simplesmente ter dito 'a tese funciona, agora vamos construir um portfólio real [de criptomoedas]'”, afirmou Iva Wisher, fundadora do Midl, um ambiente de execução nativo do Bitcoin. “Quando um fundo de US$ 50 bilhões começa a tratar ativos digitais como uma classe de investimentos, em vez de uma aposta isolada, isso é um sinal de maturidade.”
Dobrando a aposta… Harvard não está sozinha entre os grandes fundos que vêm aumentando a exposição a cripto. O fundo soberano de Abu Dhabi divulgou um aumento de 46% em sua posição em ETFs de BTC no quarto trimestre, com um total de cotas avaliado em mais de US$ 1 bilhão.
Dois ETFs de Sui spot com recompensas de staking são lançados em grandes bolsas dos EUA
Apesar da baixa recente, novos produtos de criptomoedas continuam sendo lançados. Esta semana, a Canary Capital e a Grayscale lançaram ETFs de Sui spot com recompensas de staking, em grandes exchanges.
O ETF SUIS da Canary foi “projetado para acompanhar o preço spot do sui, token nativo da blockchain de primeira camada Sui, e também participar do processo de validação de prova de participação da rede”, como explica a CoinDesk. “As recompensas líquidas de staking se refletem no valor líquido dos ativos (NAV) do fundo, oferecendo exposição ao desempenho dos preços e aos rendimentos onchain dentro de uma estrutura de ETF registrado.”
A Sui foi criada para competir com blockchains compatíveis com contratos inteligentes, como a Solana, com transações rápidas e baratas.
Temporada do ETH… Várias outras criptomoedas importantes, incluindo ETH e Solana, também usam um sistema de prova de participação (proof of stake) para proteger a rede e gerar novos tokens. Esta semana, a BlackRock deu um passo importante em direção ao lançamento de um ETF de ETH que oferecerá acesso a rendimentos de staking. O ETF iShares Staked Ethereum Trust “pretende 'colocar em staking o máximo possível do ether do fundo', o que equivale a 70% a 95% em circunstâncias normais de mercado”, relata o portal The Block.
FEBRE DOS TOKENS
Por que a tokenização pode ser o próximo catalisador das criptomoedas
Nos últimos cinco meses, a capitalização de mercado das criptomoedas caiu quase pela metade, deixando os investidores à procura do próximo grande catalisador que poderá ajudar a reverter a situação.
Como possível resposta, grandes players de Wall Street e de outros setores já apontam para uma tecnologia de cripto em rápido crescimento e que já começou a transformar o sistema financeiro global: a tokenização.
Tokenização é o processo de criação de tokens digitais em blockchain para representar praticamente qualquer ativo do mundo real: dinheiro, ações, títulos, imóveis, royalties, obras de arte e muito mais. Por que fazer isso? Porque ativos tokenizados podem ser negociados de forma barata, instantânea e ininterrupta.
Veja o que você precisa saber.
Ativos tokenizados estão atingindo níveis recordes
De acordo com a CoinDesk, a capitalização de mercado de ativos tokenizados registrou um recorde de US$ 24,5 bilhões no mês passado, sendo grande parte desse crescimento impulsionado pela demanda por títulos do Tesouro e commodities tokenizadas (incluindo ouro e prata).
Os títulos do Tesouro tokenizados, que são tokens digitais que representam a titularidade de cotas da dívida nacional, representam atualmente cerca de 39% de todos os ativos tokenizados.
Gigantes do setor financeiro, incluindo a BlackRock, estão investindo pesado na ampliação do acesso a seus produtos tokenizados. Este mês, a empresa anunciou uma parceria com a Uniswap que permitirá que cotas do fundo de Tesouro tokenizado da BlackRock, avaliado em mais de US$ 2 bilhões, sejam negociadas onchain usando a tecnologia da plataforma de DeFi.
No geral, o mercado de títulos do Tesouro tokenizados já vale mais de US$ 10 bilhões, liderado por empresas como Circle, Franklin Templeton e Ondo.
E em meio à disparada do ouro para mais de US$ 5 mil a onça, a demanda por negociação da versão tokenizada do metal também disparou. A capitalização de mercado de commodities tokenizadas aumentou 22% só no mês passado, para mais de US$ 5 bilhões.
As ações tokenizadas também vêm ganhando força. Embora seu valor de mercado ainda gire em torno de US$ 1 bilhão, isso representa um crescimento de mais de 2.800% desde o início de 2025.
Por que a tokenização pode ser o próximo catalisador das criptomoedas?
Em um relatório do mês passado, analistas da Bernstein afirmaram esperar um “superciclo” de tokenização a partir de 2026, impulsionado por um aumento contínuo na adoção de stablecoins, maior acessibilidade à negociação de ativos tokenizados e o crescimento dos mercados de previsão.
Segundo os especialistas da empresa, a demanda por tokenização está direcionando a evolução das criptomoedas da simples compra e venda de tokens para redes onchain capazes de lidar com uma ampla gama de atividades financeiras em grande escala.
“A tokenização de tudo, desde títulos do Tesouro a imóveis, cria um caso de uso tangível que atrai o capital tradicional”, afirmou Gautam Chhugani, analista sênior da Bernstein. “Isso fornece a base fundamental para o próximo ciclo.”
O relatório observa que a tokenização permite que ativos relativamente ilíquidos, como ouro ou títulos do Tesouro, sejam comprados ou vendidos quase instantaneamente por praticamente qualquer pessoa, e a eficiência proporcionada por essa negociação sem atrito pode levar a produtos financeiros totalmente novos para investidores de varejo e institucionais.
Quais são alguns grandes mercados que já foram tokenizados?
As stablecoins, que devem ultrapassar os US$ 420 bilhões em valor total de mercado este ano, são vistas como a “infraestrutura” da tokenização, pois fornecem a maior parte da liquidez utilizada na negociação desse tipo de ativo.
Enquanto isso, os títulos do Tesouro tokenizados já oferecem rendimento onchain, o que provavelmente continuará a atrair capital institucional e interesse de investidores individuais.
E os mercados de previsão, que devem movimentar mais de US$ 70 bilhões este ano, representam direitos tokenizados sobre os resultados de eventos do mundo real. Além disso, ações, imóveis e crédito privado tokenizados também são setores em expansão, com plataformas como a Coinbase já oferecendo acesso a alguns desses ativos.
Os analistas da Ark Invest compartilham uma visão semelhante à da Bernstein, observando em um relatório recente que o crescimento atual da tokenização aponta para um futuro onde blockchains públicas serão a estrutura de base para dinheiro, contratos e registros de titularidade no mundo todo.
Desde o início de 2026, startups relacionadas à tokenização já arrecadaram US$ 432 milhões em financiamento de venture capital, indicando um alto grau de confiança no setor.
Qual criptomoeda poderá se beneficiar mais com o crescimento da tokenização?
Há muitas blockchains compatíveis com a tokenização. Mas o Ethereum tem se mostrado, de longe, a mais popular.
A rede do ETH já detém quase 60% de todos os ativos tokenizados, e os US$ 14,5 bilhões em capitalização de mercado desses tokens na blockchain representam um aumento de 12% somente nos últimos 30 dias.
Isso se deve em parte ao fato de o Ethereum ter se tornado a blockchain preferida para as ambições de tokenização de Wall Street. O fundo de títulos do Tesouro tokenizados da BlackRock, a reserva de ouro tokenizado da Paxos, o fundo de mercado monetário tokenizado do JPMorgan e vários produtos de crédito privado e ações tokenizadas foram todos construídos no Ethereum.
“Em nossa opinião, o avanço da tokenização aumentará a oportunidade de acessar ativos além de dinheiro em espécie e títulos do Tesouro dos EUA”, afirmaram analistas da BlackRock em um relatório recente. “Olhando para a próxima era da tokenização, o Ethereum pode estar prestes a se beneficiar do crescimento.”
NÚMEROS EM DESTAQUE
US$ 650 milhões
Valor captado para um novo fundo de venture capital pela Dragonfly Capital, empresa de VC focada em criptomoedas e que já investiu em empresas como Polymarket e Ethena. A empresa pretende investir esse capital, que superou a meta inicial de US$ 500 milhões, em áreas como stablecoins, DeFi e mercados de previsão.
161
Quantidade de BTC, avaliada em cerca de US$ 11 milhões, hoje registrada no tesouro corporativo da rede de fast food Steak 'n Shake, após começar a aceitar pagamentos em BTC há nove meses. Nesse período, a rede também divulgou um aumento “drástico” em vendas nas mesmas lojas.
54
Percentual de usuários de criptomoedas que afirmaram possuir stablecoins no último ano, segundo um novo estudo da BVNK em parceria com a Coinbase e a Artemis. O Relatório de Utilidade das Stablecoins 2026 também constatou que 56% dos entrevistados pretendem adquirir mais stablecoins no próximo ano.
CRIPTOCURIOSIDADES
Quando foi lançado o Ethereum originalmente?
A
2013
B
2015
C
2017
D
2019
Veja a resposta abaixo.
Resposta da pergunta
B
2015
Coinbase Bytes
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