Méliuz vai ‘falir’ igual a Metaplanet? Empresa lança nova estratégia com BTC

A Méliuz comunicou ao mercado que iniciou uma nova estratégia de tesouraria baseada em derivativos de Bitcoin (BTC).
A medida despertou comparações imediatas com a japonesa Metaplanet, empresa que ficou conhecida como a ‘MicroStrategy do Japão’ e hoje enfrenta sérias dúvidas sobre a sustentabilidade de seu modelo agressivo de acumulação.
No fato relevante, a Méliuz explicou que está vendendo opções de venda de Bitcoin com preços de exercício previamente definidos.
Essa operação gera receita imediata em forma de prêmio, valor que será reinvestido na compra de mais BTC.
O modelo busca transformar a volatilidade da moeda digital em ganho recorrente, aumentando o chamado Bitcoin Yield, métrica usada para medir o rendimento extra obtido sobre o estoque já acumulado.

Méliuz e sua nova estratégia de BTC
De acordo com a empresa, a estratégia funciona da seguinte maneira: se o Bitcoin permanecer acima do preço de exercício, a Méliuz embolsa apenas o prêmio do contrato.
Caso contrário, será obrigado a comprar BTC ao valor definido. Ainda assim, a empresa argumenta que não haveria prejuízo estratégico, pois o objetivo já é acumular mais unidades da criptomoeda.
Um exemplo dado ilustra o raciocínio. Se o Bitcoin estiver a US$ 100 mil e a companhia vender uma opção de venda com strike em US$ 95 mil, ela pode lucrar apenas com o prêmio ou ter que comprar a moeda caso o contrato seja exercido.
Assim, se o preço cair a US$ 90 mil, a Méliuz comprará por US$ 95 mil, perdendo a diferença de US$ 5 mil. Porém, continuará com o prêmio e terá aumentado suas reservas de BTC.
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A companhia destacou que a operação é 100% garantida por caixa para evitar descasamento financeiro. Além disso, menos de 10% do caixa operacional mínimo está comprometido como colateral.
De acordo com o comunicado, a estratégia está sendo executada com parceiros especializados e os resultados aparecerão de forma consolidada nos balanços trimestrais.
O objetivo é monetizar a volatilidade do Bitcoin e ampliar gradualmente as reservas, sem comprometer a saúde financeira.
Dessa forma, a Méliuz tenta se diferenciar de casos de risco elevado, como o da Metaplanet, cuja estratégia baseada em emissão de ações e compra agressiva de BTC gerou preocupações entre reguladores e investidores.
A lição da Metaplanet e os riscos de comparação
A Metaplanet, listada em Tóquio, se tornou a sexta maior detentora pública de Bitcoin do mundo. No entanto, suas ações caíram 54% desde junho, enquanto o BTC subiu ligeiramente.
Esse contraste acendeu alertas sobre a dependência da empresa em mecanismos de captação baseados na valorização de seus papéis.
O modelo, conhecido como ‘flywheel’ de liquidez, funcionava bem quando as ações subiam, permitindo a conversão de warrants em capital para comprar mais Bitcoin.
Com a desvalorização, o ciclo parou de girar e a empresa passou a depender de emissões massivas de ações, aumentando a diluição dos acionistas.
Apesar das dificuldades, a Metaplanet segue comprando BTC e anunciou recentemente a aquisição de mais de 1.000 unidades, elevando suas reservas a 20.136 bitcoins, avaliados em US$ 2,25 bilhões.
Ainda assim, analistas alertam para o risco de pressão de venda em larga escala caso a confiança continue em queda.
Méliuz aposta em cautela e acúmulo gradual
Diferente da Metaplanet, a Méliuz não depende de captações agressivas nem de variações em bolsa para financiar compras.
A empresa busca um crescimento mais gradual, alavancando-se em derivativos com caixa já reservado. Essa abordagem reduz riscos de liquidez e garante maior previsibilidade.
Mesmo assim, a comparação é inevitável.
Ambos os casos mostram como empresas tradicionais de tecnologia e serviços estão se transformando em detentoras corporativas de Bitcoin, tentando explorar a moeda digital como estratégia de longo prazo.
No caso da Méliuz, a dúvida que surge é se a companhia conseguirá manter o equilíbrio entre expansão de reservas e preservação de solidez financeira.
A resposta dependerá não apenas da execução da estratégia, mas também do comportamento do mercado de Bitcoin, cada vez mais volátil e influenciado por fatores macroeconômicos globais.
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