Reportagem do WSJ diz que governo dos Estados Unidos investiga Tether por possíveis violações de sanções
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Reportagem do Wall Street Journal afirma que investigadores federais dos Estados Unidos estão investigando a Tether por possíveis violações de sanções e leis de combate à lavagem de dinheiro.
As autoridades estariam avaliando se houve participação da empresa em atividades ilegais, e considerando punições contra a companhia.
O CEO da Tether, Paolo Ardoino, imediatamente negou as acusações apresentadas pelo jornal. Porém, segundo o Wall Street Journal, há, sim, uma investigação em andamento, liderada por promotores do gabinete da procuradoria em Manhatan (Nova York).
De acordo com a reportagem, o governo dos Estados Unidos está analisando se terceiros usaram a Tether para apoiar atividades ilegais – como, por exemplo, tráfico de drogas, terrorismo e crimes cibernéticos. Além disso, investiga a empresa por possível lavagem de dinheiro associada a essas operações.
Nesse sentido, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estaria considerando aplicar sanções contra a Tether. Nesse caso, é citado o uso da empresa por grupos já sancionados pelo país, como negociadores de armas russos. Como resultado, cidadãos estadunidenses poderiam ser proibidos de fazer negócios com a Tether.
Tether é dona da criptomoeda mais negociada do mundo
A Tether é proprietária da criptomoeda de mesmo nome, que é a mais negociada do mundo. Transações diárias envolvendo seu token nativo, USDT, envolvem uma média de US$ 190 bilhões.
O valor da criptomoeda Tether está atrelado ao dólar. Consequentemente, essa estabilidade atrai investidores em regiões onde transações em dólar são restringidas.
A investigação sobre a stablecoin vem se intensificando, por conta de supostas ligações a atividades que envolvem questões de segurança nacional – assim como o programa nuclear da Coreia do Norte e cartéis de drogas mexicanos.
O Departamento de Justiça iniciou esse processo há vários anos. Inicialmente, o objetivo era analisar se os apoiadores financeiros da Tether estariam envolvidos em fraudes bancárias. A alegação era de falsificação de documentos para obter acesso a sistemas financeiros globais.
A Tether respondeu às alegações por meio de um comunicado, no qual afirma que é ultrajante sugerir que a empresa apoiaria atividade criminais.
Além disso, a companhia enfatizou sua longa cooperação com autoridades dos Estados Unidos, e também internacionais, no sentido de coibir atividades ilícitas. Por fim, a empresa enfatizou que a transparência pública da tecnologia blockchain aumentam a vigilância.
Recentemente, a Tether bloqueou 1.850 wallets, recuperando US$ 114 milhões em ativos. Além disso, ampliou sua capacidade de monitoramento, por meio de parcerias com as empresas Chainalysis e TRM Labs.
Paralelamente, a Tether expandiu a equipe que lida com regulação e contratou um especialista em moedas digitais para liderar as relações com o governo.
CEO da Tether nega afirmações do Wall Street Journal
Em sua resposta à reportagem Wall Street Journal referente à investigação federal, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, afirmou veementemente que “não há nenhuma indicação de que a Tether esteja sob investigação”.
Em setembro, analistas Consumers’ Research alertaram sobre a Tether, afirmando que a empresa ainda precisava finalizar uma auditoria de suas reservas, apesar de promessas feitas desde 2017.
Além disso, a Consumers’ Research acusou a empresa de usar práticas de marketing enganosas, que poderiam custar bilhões aos consumidores.
Já a S&P Global classificou a criptomoeda com uma preocupante taxa de estabilidade, entre 4 e 5, indicando riscos.
Por fim, uma carta endereçada aos governos estaduais dos Estados Unidos enfatizou a falta de transparência da Tether e traçou paralelos entre a empresa e circunstâncias que resultaram no colapso da FTX e da Celsius.
Pool de acusações
Desde junho, a Consumers’ Research vem investigando ativamente a Tether. Isso porque a empresa poderia estar conectada a autoridades chinesas e russas, bem como a organizações terroristas e cartéis de drogas.
A Tether é acusada de permitir que usuários de países como Venezuela e Rússia contornassem sanções. Nesse sentido, há alegações de que tanto empresas estatais como criminosos estariam utilizando o USDT.
Por fim, outra reportagem do WSJ enfatizou o crescimento da Tether como uma espécie de “dólar incógnito, permitindo a movimentação de grandes quantidades de capital sem regulação.
O impressionante lucro de US$ 6,2 bilhões da Tether em 2023, conquistado com uma pequena “força de trabalho”, levantou preocupações com relação ao seu impacto no sistema financeiro e na segurança nacional.

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