O mercado em baixa de criptoativos chegou finalmente ao fim?

O mercado em baixa de criptoativos chegou finalmente ao fim?

No universo onchain, nunca há um momento de tédio. Eis o que precisa de saber esta semana:

O Bitcoin acaba de registar a maior subida semanal desde 2023. O BTC disparou de US$ 64 000 para mais de US$ 81 000, mas o que desencadeou realmente este movimento?

O mercado em baixa finalmente chegou finalmente ao fim? Cinco dos principais analistas do mercado dão a sua opinião. As respostas vão desde "é geralmente este o aspeto de um fundo de mercado" até "bem-vindos à época da volatilidade".

As ações tokenizadas estão em alta. Por que motivo a capitalização de mercado dos títulos onchain poderá atingir US$ 5,5 biliões até 2030.

MARKET BYTES

BTC regista a maior subida semanal desde 2023

Quando o Bitcoin foi lançado originalmente, em plena economia mundial fragilizada de 2009, surgiu com uma narrativa clara: constituir uma alternativa às moedas fiduciárias que estavam a perder valor devido ao endividamento e à despesa pública.

Na passada quarta-feira, após meses de marasmo, os criptoativos regressaram em força a essa narrativa original. Perante a persistência das yields das obrigações de longo prazo, que tinham atingido máximos de várias décadas (mais abaixo explicamos o que são as yields das obrigações e por que são importantes), e uma dívida nacional dos EUA que tinha disparado para mais de US$ 40 biliões, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou um plano para aumentar a capacidade do governo de recomprar obrigações de US$ 2 mil milhões para US$ 4 mil milhões.

Os criptoativos (e o ouro) reagiram de imediato, com milhares de milhões de dólares em posições short de BTC a serem liquidadas à medida que os preços disparavam. O Bitcoin passou rapidamente de cerca de 64 000 $ para mais de 81 000 $ até ao início de terça-feira. No mesmo período, o ETH subiu de cerca de 1900 $ para mais de 2500 $. O apetite institucional pelos criptoativos também recuperou, com quase 2 mil milhões de dólares em entradas líquidas na semana passada — e as ações relacionadas com criptoativos também registaram ganhos. Até o lendário gestor de fundos de cobertura Ray Dalio sugeriu que os investidores deveriam deter algum Bitcoin nos seus portefólios.

"Pela primeira vez este ano, existe agora o risco de a minha previsão para o final do ano (100 000 USD) ser demasiado baixa", observou Geoffrey Kendrick, responsável global pela área de investigação de ativos digitais do Standard Chartered. 

Mais notícias que deve conhecer…

A subida acentuada das yields das obrigações ajudou a impulsionar a recuperação dos criptoativos

Na semana passada, as principais yields das obrigações de longo prazo em todo o mundo atingiram máximos de várias décadas devido a uma combinação de receios: alguns traders estavam preocupados com a inflação e a escalada da despesa pública, outros receavam que o boom da IA pudesse estar a provocar um sobreaquecimento dos mercados e praticamente todos estavam preocupados com o atual conflito no Irão e os preços do petróleo. 

As taxas dos créditos à habitação são influenciadas pelas yields das obrigações e a subida destas yields poderá, a prazo, dificultar o financiamento dos governos numa altura em que a despesa continua a disparar. Então, porque é que os preços dos criptoativos dispararam depois de o secretário do Tesouro, Bessent, ter intervindo numa tentativa de reduzir as yields? A resposta está naquilo a que se chama "debasement trade" (estratégia de proteção contra a desvalorização monetária).

A lógica habitual por detrás desta estratégia é que os ativos "duros", como os criptoativos e o ouro, tendem a valorizar quando os investidores procuram proteção contra a desvalorização do dólar e o aumento acentuado da dívida pública. Quando Bessent tomou a medida pouco habitual de duplicar para 4 mil milhões de USD o programa de recompra de obrigações do governo, essas preocupações só aumentaram.

  • Sinal evidente… “O montante das compras do Tesouro anunciadas até agora por Bessent é insignificante em comparação com a dimensão do mercado global, mas o efeito [de sinalização] foi muito forte", afirmou à CNBC Stephen Coltman, responsável pela área macroeconómica da 21Shares. 

  • As ações tokenizadas poderão transformar-se num mercado de US$ 5,5 biliões. Uma das grandes tendências de Wall Street no último ano tem sido o rápido crescimento da tokenização de praticamente todos os tipos de ativos — permitindo que os mercados funcionem de forma mais rápida e económica e 24 horas por dia.

    No início deste mês, mais de 40 empresas, incluindo JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Invesco e Citadel Securities, testaram com êxito a negociação tokenizada de ações, títulos do Tesouro e outros ativos durante parte de um dia de negociação real. E, de acordo com um relatório recente da a16z crypto, a capitalização de mercado das ações tokenizadas aumentou mais de 400% — para 1,7 mil milhões de USD no final de junho, face a 329 milhões de USD um ano antes.

    Esta semana, a Coinbase anunciou que os negociantes elegíveis fora dos EUA passaram a poder aceder a ações tokenizadas emitidas na blockchain Base, começando pela Apple (AAPL), Nvidia (NVDA), Meta (META) e Alphabet (GOOGL) — e haverá muitas mais. "Os investidores podem manter os tokens em carteiras de autocustódia e negociá-los 24 horas por dia em plataformas onchain compatíveis, incluindo a exchange descentralizada Aerodrome", noticia a CoinDesk. “Por serem tokens baseados em blockchain, também podem ser integrados em aplicações de finanças descentralizadas, permitindo potencialmente aos investidores contrair empréstimos usando as suas ações como garantia ou utilizá-las noutros mercados on-chain.” 

  • O avanço dos tokens… Qual poderá ser a dimensão do mercado de ações tokenizadas? De acordo com um relatório do Citi, a capitalização de mercado dos títulos tokenizados poderá atingir US$ 5,5 biliões até 2030. "Estamos a assistir à entrada em grande escala do poderio financeiro dos EUA e da moeda de reserva mundial no universo onchain", afirma o relatório. "Quando a DTCC e a NYSE integram a tokenização nos mercados de capitais, estamos perante um ponto de viragem."

  • OPINIÕES DE ESPECIALISTAS

    Será que chegou um novo mercado em alta? Cinco dos principais analistas do mercado dão a sua opinião

    Bitcoin e Ethereum acabam de registar a sua melhor semana em vários anos. Com o sentimento dos investidores em criptoativos a atingir os níveis mais elevados do último ano, os analistas do mercado estão obcecados com uma pergunta: o mercado em queda (bear) chegou ao fim? Eis o que cinco especialistas têm a dizer. 

    1. "É geralmente este o aspeto dos fundos de mercado… Começam com um short squeeze, uma enorme vela verde, começam a ultrapassar níveis técnicos e, de repente, todos os que tinham ordens com limite à espera de que a BTC caísse para 40 000 USD começam a repensar a sua estratégia e dizem para si próprios: É melhor entrar antes de perder esta oportunidade." — Mati Greenspan, fundador da Quantum Economics.

    Referindo o crescente apoio ao setor dos criptoativos por parte da Casa Branca, do Congresso e dos reguladores dos EUA, Greenspan afirmou que a atual evolução dos preços se assemelha aos anteriores arranques em alta do Bitcoin. E embora tenha afirmado que é "possível" uma correção, acrescentou que, neste momento, as probabilidades de uma correção significativa parecem "muito reduzidas".

    2. "A força deste movimento… parece apontar para uma mudança radical de tendência, passando da monótona fase de acumulação para um mercado em alta."--- Justin d'Anethan, diretor de investigação da Arctic Digital

    Depois de a volatilidade ter atingido níveis próximos de mínimos históricos, o forte movimento ascendente do preço do Bitcoin é um sinal de uma clara mudança na direção do mercado. d’Anethan referiu as "velas envolventes" nos gráficos diário, semanal e mensal do Bitcoin. As velas envolventes são velas verdes no gráfico de um ativo que anulam por completo a vela vermelha do dia, semana ou mês anterior. Frequentemente, estes padrões gráficos indicam fundos de mercado. Além disso, a intervenção do Tesouro dos EUA para tentar reduzir as yields das obrigações através de recompras é considerada positiva para os ativos de risco, acrescentou. 

    3. "Bem-vindos à época da volatilidade. A recuperação do Bitcoin poderá ser uma oportunidade para vender." — Mike McGlone, estratega sénior de matérias-primas da Bloomberg Intelligence.

    McGlone, há muito pessimista em relação ao Bitcoin, manifestou dúvidas de que a maior subida semanal desde 2023 fosse indicativa de uma nova tendência. Em vez disso, afirma que todas as classes de ativos enfrentarão dificuldades num contexto de subida das yields das obrigações do Tesouro dos EUA a 30 anos. Segundo McGlone, a manutenção de yields elevadas "poderá significar o fim das históricas valorizações dos criptoativos, dos metais preciosos e, sobretudo, do mercado acionista dos EUA".

    4. "Só consideraria que estamos num mercado em alta depois de nos mantermos acima dos US$ 100 000 durante um mês e de a Fed sinalizar cortes das taxas, que continuam a ser incertos", – Jeff Mei, COO da BTSE. 

    O forte movimento do Bitcoin melhorou significativamente o sentimento dos investidores, levando esta semana o Índice de Medo e Ganância das Criptomoedas para o nível de "Ganância Extrema". Ainda assim, Mei considera que é demasiado cedo para declarar o início de um novo mercado em alta. Argumenta que os US$ 100 000 continuam a ser um nível psicológico importante para os investidores e que a persistência da inflação poderá obrigar a Reserva Federal a aumentar as taxas este ano, o que poderá constituir um obstáculo para os criptoativos. 

    5. "Em 11 das 13 vezes em que o BTCUSD recuperou a média móvel de 50 semanas durante mercados em baixa já concluídos, o mínimo do mercado em baixa já tinha sido atingido". — Galaxy Research

    A subida do Bitcoin na última semana levou-a até níveis de preços que, se forem ultrapassados, poderão confirmar as próximas fases do mercado em alta, segundo o relatório da gestora de fundos. Os analistas acompanham frequentemente as médias móveis do Bitcoin, sendo as médias de 50, 100 e 200 semanas consideradas as mais significativas. Embora o BTC já tenha ultrapassado as suas médias móveis no gráfico diário, a Galaxy afirma que resta um último teste: a média móvel de 50 semanas no gráfico semanal. Com a moeda a rondar os US$ 82 000, os analistas da Galaxy consideram que um fecho semanal acima desse nível de preços assinalaria o fim do mercado em baixa.

    NÚMEROS

    US$ 44,3 mil milhões

    O volume diário de negociação nas exchanges centralizadas em 25 de agosto, com base numa média móvel de 7 dias. Depois de ter rondado mínimos de quase 12 meses, a subida do BTC e do ETH na semana passada mais do que duplicou o volume diário nas exchanges centralizadas, face aos US$ 18,1 mil milhões registados no final de julho.

    502 milhões

    O número aproximado de transações registadas, até à semana passada, na testnet da Arc, a blockchain da Circle centrada em stablecoins. Com lançamento público previsto para 16 de setembro, a Arc contará com mais de 100 parceiros de lançamento e quase uma dúzia de validadores fundadores, incluindo BlackRock, DTCC, Visa, Mastercard e MoneyGram. 

    US$ 75,385

    Preço médio pago pela Strategy pelos seus 840 447 BTC, avaliados em cerca de 65 mil milhões de USD, o que significa que a empresa voltou a estar em terreno positivo pela primeira vez desde julho. A gigante das tesourarias de criptoativos ainda não retomou as compras de bitcoin (o que, segundo alguns analistas, torna a atual recuperação ainda mais impressionante).  

    69%

    Probabilidade de a Reserva Federal manter as taxas de juro nos níveis atuais na reunião de setembro, segundo os negociantes dos mercados de previsões, à data de quarta-feira. Em busca de pistas, todas as atenções estarão viradas para as declarações do presidente da Fed, Kevin Warsh, na conferência de Jackson Hole, no final desta semana.

    CURIOSIDADES SOBRE TOKENS

    O que é a "estratégia de proteção contra a desvalorização monetária"?

    A

    Vender criptoativos para comprar obrigações do Estado

    B

    Comprar ativos "duros", como criptoativos e ouro, como proteção contra a desvalorização do dólar

    C

    Trocar uma stablecoin por outra para obter rendimento

    D

    Pedir dólares emprestados para abrir uma posição curta em Bitcoin

    Encontre a resposta abaixo.

    Resposta de curiosidade

    B

    Comprar ativos "duros", como criptoativos e ouro, como proteção contra a desvalorização do dólar

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