Bitcoin tem leve recuperação após declarações do Banco Central do Japão

Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) apresentaram recuperação após o que muitos chamaram de “banho de sangue” no início da semana, motivado pelo pânico que se espalhou pelos mercados globais.
A calmaria retornou, em parte, depois do pronunciamento de Shinichi Uchida, vice-governador do Banco do Japão (BoJ). Uchida assegurou que o banco central não pretende elevar as taxas de juros durante períodos de instabilidade de mercado.
Além disso, a recuperação foi reforçada pelo interesse dos investidores institucionais, que viram na baixa recente uma oportunidade de compra.
Por exemplo, na terça-feira (06/08), a Metaplanet, uma empresa japonesa de capital aberto, decidiu investir aproximadamente 8,5 bilhões de ienes japoneses (o que equivale a cerca de R$ 325 milhões) em Bitcoin, aproveitando uma nova oferta de ações.
Dito isso, esse movimento dos grandes players indica certa confiança no mercado de criptomoedas. Dessa forma, sugere-se que, apesar das turbulências, há uma visão de valor a longo prazo nas moedas digitais.
Grandes empresas adotam Bitcoin para se proteger das oscilações
Andre Franco, head de research do Mercado Bitcoin, observou recentemente uma tendência comum entre as empresas, especialmente as mais estabelecidas e que planejam a longo prazo. A estratégia é a de adquirir Bitcoin para proteger seus caixas, com o intuito de resistir a oscilações econômicas por décadas ou pelo menos nos próximos quatro ou cinco anos.
O Bitcoin, que iniciou a semana negociando abaixo de US$ 50 mil, estava cotado a US$ 57.539 na manhã desta quarta-feira, marcando um aumento de 4,20%. Enquanto isso, o Ether, que sofreu sua maior queda desde 2021 na segunda-feira (05/08), mostrou uma recuperação de 3,1%, alcançando mais de US$ 2.539.
A recuperação dos preços foi também impulsionada pela atividade nos ETFs (fundos de índice) à vista de Ethereum. No último mês, nove desses produtos foram liberados para negociação e registraram uma entrada líquida de US$ 93 milhões. O fundo gerido pela BlackRock foi quem teve maior destaque, segundo os dados da plataforma SoSoValue.
Por outro lado, os ETFs à vista de Bitcoin tiveram uma saída líquida total de US$ 148 milhões. Sobretudo, a maior parte dessa movimentação veio do fundo de índice gerido pela Fidelity.
Risco de queda no curto prazo ainda persiste
Mesmo com sinais de recuperação, os analistas mantêm uma visão cautelosa sobre os preços do Bitcoin no curto e médio prazos.
Essa preocupação deriva, em grande parte, das políticas monetárias nos Estados Unidos, das incertezas geradas pela corrida eleitoral no país e do aumento das tensões no Oriente Médio.
Markus Thielen, fundador da 10x Research, expressou suas opiniões sobre o Bitcoin em um relatório divulgado na última noite.
Ele comenta que, embora o Bitcoin esteja em uma fase de tentativa de recuperação, a forte resistência apresentada por uma tendência de baixa bem estabelecida pode representar um desafio maior após a recente perda de suporte.
Para o analista, espera-se que a faixa de US$ 56 mil a US$ 57 mil represente uma resistência importante para o Bitcoin. Caso haja um fechamento acima desse nível, isso seria interpretado como um sinal positivo para a criptomoeda.
Por fim, ele conclui comentando a importância de manter estratégias de proteção para posições compradas, estabelecendo stops em torno de US$ 54 mil, dado o risco de queda ainda presente.
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