Rede Blockchain Brasil pode ficar disponível ao público em 2025

O Tribunal de Contas da União (TCU) recebeu na última quinta-feira (22) o lançamento do piloto da Rede Blockchain Brasil (RBB). Segundo o cronograma apresentado durante o evento, esse recurso pode chegar ao público já em 2025.
A RBB é uma rede blockchain pública que vem sendo desenvolvida desde 2022. Aliás, ela surgiu por meio de um acordo de diversos agentes públicos e privados do Brasil com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Rede Blockchain Brasil terá governança descentralizada
Ao falar durante o lançamento da RBB, o secretário de Tecnologia da Informação e Evolução Digital do TCU, Rainério Leite, qualificou-a como “um marco significativo nessa trajetória de inovação”. Além disso, ele afirmou que a rede simboliza uma “transparência sem precedentes”.
Segundo Leite, a governança da rede terá um modelo descentralizado. Afinal, ela se baseia em Proof-of-authority (PoA). Portanto, os validadores incluirão entidades públicas e privadas, e não apenas órgãos como o TCU e o BNDES.
O secretário do TCU afirma que a RBB será um ponto de virada importante:
“Não há algo parecido no Brasil, então é mais uma forma de envolvermos todos esses órgãos.”
Leite citou também diferentes casos de uso da RBB. Por exemplo, ela será útil para o gerenciamento de dados científicos, identificação digital e aplicações em saúde, educação e segurança pública.
“Nós temos uma gama enorme de trabalho nesse sentido, inclusive cartão de vacinação eletrônico.”
Por fim, vale citar que o seu uso deverá incluir a integração da interface do Drex. Aliás, o Drex é a versão brasileira de uma moeda digital emitida pelo banco central (CBDC, na sigla em inglês). Por aqui, acabou recebendo também o apelido de “real digital”.
Já o superintendente de Tecnologia da Informação do BNDES, Fernando Lavrado, ressaltou a importância da infraestrutura que a RBB oferecerá para as instituições participantes.
Previsão de lançamento entre 2025 e 2026
Outro palestrante no evento do TCU foi Gladstone Arantes Júnior, analista de sistemas do BNDES. Sua fala teve como tema o histórico da RBB desde 2017. Afinal, foi nesse ano que surgiu a ideia de utilização da tecnologia por meio de um concurso interno do banco estatal.
Segundo o especialista, o projeto surgiu em um contexto difícil. Isso porque, na época, uma pesquisa chegou a apontar um grau de confiança no governo de apenas 24%.
“A gente fez a proposta de usar a blockchain para combater a implosão da confiança.”
Arantes Júnior destaca que o consumo de energia da RBB é extremamente baixo. Além disso, segundo ele, o sistema teria compartilhamento da governança e descentralização da gestão da rede.
No entanto, há algumas limitações no acordo de cooperação. Por exemplo, não é permitida a transferência de recursos nem a implantação de poderes de voto.
Conforme o cronograma apresentado pelo BNDES, a rede ficará aberta ao público entre 2025 e 2026. Arantes Júnior comentou essa possibilidade.
“A gente pretende partir para uma produção plena em que qualquer um vai poder usar a rede, independentemente de estar no acordo ou não. E 2027 é o limite para a gente construir a evolução desse modelo, porque uma iniciativa como essa, você lança e altera ela, adapta, reconstrói e segue.”
O especialista também afirmou que os scripts da RBB já estão presentes no site de compartilhamento de códigos GitHub.
O lançamento oficial do piloto da RBB, que já está em funcionamento desde abril, também teve a palestra “Blockchain e infraestrutura para governos: DPIs e visão de futuro”. Nesse caso, a fala foi de Eduardo Diniz, que é doutor pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP),
Além disso, houve uma mesa executiva que reuniu representantes de diferentes associados, com uma sessão de perguntas do público.

Leia mais:
- O que o segundo ETF Solana Spot do Brasil significa para o preço do token SOL
- Como lidar com o aumento da emissão de carbono gerado por IA e criptoativos
- Bitcoin recupera fôlego e parece se estabilizar nos US$ 60 mil