‘Não seja idiota de usar seu BTC para comprar um café’, afirma Rocelo Lopes

O pioneiro do Bitcoin no Brasil, Rocelo Lopes, alertou sobre usar o BTC para comprar e pagar coisas no dia-a-dia.
Durante a PlanB em Lugano, o desenvolvedor alertou para as pessoas não serem o ‘Pizza Guy”, o cara que gastou 10.000 Bitcoins para comprar 2 pizzas.
Em tom firme, o fundador da Truther lembrou que o Bitcoin não foi criado para comprar café.
De acordo com ele, o BTC nasceu para se tornar a nova unidade global de valor, uma reserva que poderá substituir o dólar no longo prazo.
‘Não gastem seus Bitcoins’, enfatizou Lopes, que alertou os investidores sobre a futura valorização da criptomoeda, ‘vocês vão se arrepender quando perceberem que pagaram dez mil dólares por um café. Guardem seus Bitcoins, porque o preço vai subir’.
Bitcoin não é para comprar coisas, stablecoins são

De acordo com Lopes, o erro está em tratar o Bitcoin como moeda de pagamento.
Em vez disso, ele defende o uso de stablecoins, como oTether (USDT) para transações cotidianas.
‘As stablecoins nasceram para resolver justamente o problema que os bitcoiners perceberam com o tempo’, disse.
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‘Elas mantêm paridade com o dólar e não sofrem com a volatilidade do mercado. Por isso, são ideais para o uso diário’, afirmou.
Na visão do empresário, o Bitcoin deve continuar sendo a ‘voz da liberdade financeira’, enquanto as stablecoins assumem o papel de ponte entre o sistema tradicional e o universo digital.
Ele descreve essa relação como complementar. ‘O Bitcoin é uma ferramenta de aprendizado e de libertação. As stablecoins são o caminho para a adoção em massa.’
Lopes define as stablecoins como o ‘Cavalo de Troia do mundo cripto”’ uma metáfora para destacar seu poder de penetração no sistema financeiro tradicional.
Desse modo, ele relembrou discussões de 2024 com Paolo Ardoino, CEO da Tether, e Samson Mow, da Jan3, sobre o potencial dessas moedas.
‘Naquela época, quase ninguém falava em stablecoins. Hoje, em 2025, todo mundo fala. Nós prevíamos esse movimento porque sabíamos que elas seriam a porta de entrada do mainstream’, observou.
Bancos brasileiros já testam contas em dólar via stablecoins
No Brasil, grandes bancos como Nubank e Itaú testam soluções baseadas em stablecoins, incluindo contas digitais em dólar, com liquidação quase instantânea.
Essa nova geração de produtos usa infraestruturas como Liquid e Plasma, tecnologias que permitem operações seguras e privadas com moedas digitais.
‘Hoje, já temos cinco bancos brasileiros usando nossa tecnologia para criar soluções que permitirão contas digitais em dólar’, afirmou.
‘Eles não precisam de licenças caras nem complexas, e o cliente pode até ter a chave privada da conta, se quiser’, detalhou Lopes.
De acordo com ele, essa abordagem é estratégica. ‘Os bancos, que antes resistiam às criptomoedas, podem se tornar os maiores canais de entrada para essa nova economia digital.’
Recentemente, o Banco Central do Brasil divulgou dados indicando que 90% de toda a movimentação cripto nacional envolve stablecoins.
O desafio da privacidade e o papel dos bancos
Apesar da movimentação, Rocelo Lopes alerta para um obstáculo central que é a privacidade.
De acordo com ele, os bancos centrais ainda resistem a modelos em que um usuário possa transferir fundos de forma totalmente direta e privada.
‘Eles não aceitam que alguém veja o saldo ou as transações de outra pessoa. Esse é o ponto mais sensível. Precisamos resolver isso antes que o sistema escale globalmente’, explicou.
A solução pode vir com camadas de tecnologia adicionais, como second layer solutions, que permitem transações mais privadas e interoperáveis.
Para Lopes, é apenas uma questão de tempo até que esse equilíbrio entre liberdade e conformidade seja atingido.
‘A inovação vem primeiro, a regulamentação vem depois. O importante é que os dois mundos já estão conversando’, destacou.
A tendência é confirmada por dados oficiais e pela fala recente do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que reconheceu o crescimento irreversível das stablecoins.
‘Quanto menos conversível é a moeda de um país, maior é o desejo das pessoas por stablecoins’, afirmou.
Essa lógica explica o avanço desses ativos em regiões de alta inflação ou instabilidade cambial, como América Latina, África e Sudeste Asiático.
Campos Neto ressaltou ao CNN que as stablecoins estão se tornando o novo refúgio de valor para milhões de pessoas.
Com apenas um celular, qualquer cidadão pode hoje comprar US$ 50 ou 100 em minutos, sem depender de bancos ou corretoras tradicionais.
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