Bitcoin perde suporte de US$ 60 mil e pode ficar abaixo desse valor por um tempo

Na manhã desta quarta-feira (03/07), o Bitcoin (BTC) apresentou queda, descolando-se dos índices americanos que atingiram recordes no dia anterior, impulsionados por declarações moderadas do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
Durante um evento no Banco Central Europeu (BCE), em Sintra, na terça-feira (02/07), Jerome Powell comentou que a autoridade monetária norte-americana “fez um bom progresso” na luta contra a inflação, uma observação recebida positivamente pelo mercado.
Na sequência dessas declarações, o índice S&P 500 ultrapassou a marca dos 5.500 pontos pela primeira vez, registrando seu 32º recorde do ano. Paralelamente, o Nasdaq Futuro apresentou uma alta de 0,08% e o Dow Jones Futuro avançou 0,11% nesta manhã.
Especialistas avaliam a continuidade da baixa no mercado de Bitcoin
O Bitcoin é negociado atualmente a US$ 60.200, apresentando uma queda de 3,80% nas últimas 24 horas. Durante o início do dia, especificamente por volta das 7h30 e 10h, a criptomoeda chegou a cair abaixo do patamar de US$ 60 mil.
Na madrugada, o Bitcoin rompeu uma bandeira de baixa, um padrão gráfico que, segundo Fernando Pereira, analista da corretora de criptomoedas Bitget, indica uma possível continuação da tendência de queda.
O analista destaca que o principal foco desse movimento é a base da bandeira, ou seja, o último suporte registrado em US$ 58.400. Ele aponta que o rompimento desse nível pode indicar uma continuação na tendência de queda do Bitcoin. Dessa forma, o preço da criptomoeda pode alcançar ou até superar esse ponto de suporte.
Ademais, a divulgação de diversos indicadores econômicos, como os dados de emprego da ADP, os pedidos de seguro-desemprego semanal e a ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC), também impactou o preço da criptomoeda.
Markus Thielen, CEO da 10x Research, em uma nota, enfatiza que uma série de fatores podem influenciar o mercado de Bitcoin no curto prazo. Segundo ele, a combinação de dados técnicos de longo prazo, sinais na blockchain, fluxos de inventário dos mineradores e estruturas de mercado atual podem se sobrepor e diminuir a relevância de argumentos otimistas, como as eleições presidenciais nos EUA e possíveis cortes nas taxas de juros.
Impacto dos pagamentos da Mt. Gox e resgates em ETFs de Bitcoin
Dois fatores contribuíram para que a moeda digital não acompanhasse a tendência otimista do mercado de ações recentemente: o registro de fluxos negativos nos ETFs (fundos de índice) à vista de BTC dos Estados Unidos e as preocupações decorrentes das vendas da falida exchange Mt. Gox.
Os fundos de índice de Bitcoin enfrentaram retiradas líquidas de US$ 13,62 milhões ontem. Como resultado, interrompeu-se uma sequência de cinco dias consecutivos de entradas positivas, de acordo com dados da plataforma SoSoValue.
Além disso, a Mt. Gox anunciou na semana passada que iniciará o pagamento aos investidores afetados por um hack de US$ 9 bilhões em criptomoedas. Isso suscitou temores de uma possível pressão vendedora no mercado, dado que a liberação dos fundos está prevista para ocorrer ainda nesta semana.
A QCP Capital observou que a liberação de até 140.000 BTC poderá continuar impactando negativamente os mercados, principalmente porque o cronograma exato desses pagamentos ainda não foi divulgado.
Por fim, as principais altcoins também registraram queda nesta manhã. O CoinDesk 20 (CD20), um índice que representa os maiores tokens da indústria cripto, teve uma redução de 1,7% nas últimas 24 horas.
Leia Mais:
- Binance.US se prepara para batalha legal contra a SEC dos EUA
- Santander vai oferecer negociação de Bitcoin e Ethereum
- Hacks cripto custaram US$ 176 milhões em junho, 54% menos que em maio