Apenas 7,5% dos cidadãos de El Salvador usam Bitcoin, aponta estudo

Apenas 7,5% dos cidadãos de El Salvador dizem usar Bitcoin (BTC) para realizar transações, segundo uma pesquisa que veio a público recentemente. O estudo foi uma iniciativa da Universidade Francisco Gavidia (UFG), que realizou as entrevistas no final de setembro deste ano.
A informação gera um contraste com a relação famosa do país com a criptomoeda. Afinal, o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, é um defensor ferrenho do Bitcoin e já transformou parte das reservas nacionais em BTC.
O FMI era profundamente cético em relação aos planos de adoção do BTC em El Salvador. Mas indicou nas últimas semanas que não vê riscos financeiros quanto ao uso do BTC na nação centro-americana.
Bitcoin gera pouco interesse em El Salvador?
Os participantes da pesquisa têm 18 anos ou mais. No total, os pesquisadores entrevistaram 1.224 pessoas, sendo que a maioria delas tem idades entre 18 e 29 anos.
A grande maioria (mais de 71%) dos indivíduos que aceitou participar da pesquisa disse viver em áreas urbanas. Além disso, a maior parte declarou ter um emprego em tempo integral.
O dado mais importante da pesquisa diz respeito ao uso do Bitcoin. Afinal, 92% dos participantes responderam que não usam esse ativo para transações. Outros 0,5% responderam que “não sabiam” ou não entenderam a pergunta.
Os pesquisadores também perguntaram aos entrevistados: “Qual deve ser o principal foco para o futuro do país?” Nesse caso, apenas 1,3% dos entrevistados disse “Bitcoin”. Por outro lado, a maioria respondeu que El Salvador deveria focar em educação ou no desenvolvimento da indústria.
Aprovação de Bukele permanece alta
Apesar dessa aparente indiferença ao Bitcoin, os participantes do estudo parecem otimistas em relação ao maior defensor da moeda em El Salvador: o presidente Nayib Bukele. Afinal, ao avaliarem o desempenho do presidente em uma escala de 0 (ruim) a 10 (excelente), a média das notas foi 8,43.
O governo de Bukele obteve uma nota de 7,49, considerando a mesma escala, enquanto a Assembleia Nacional recebeu 6,94. A grande maioria também afirmou estar otimista quanto ao futuro do país. Cerca de 80% disseram ter uma avaliação neutra ou positiva em relação à situação financeira de El Salvador.
Outro tema parece chamar muito mais a atenção da população e beneficiar Bukele quanto se considera sua alta taxa de aprovação: a segurança. Afinal, 55,8% dos entrevistados pela UFG disseram que a segurança em sua comunidade melhorou.
Isso ocorre em um contexto de forte repressão pelas forças policiais do país, que vem combatendo o crime organizado sob acusações de fortes violações dos direitos humanos. Por exemplo, 36,3% das pessoas que participaram do estudo disseram que pessoas inocentes foram presas em suas comunidades.
Mesmo com a atuação polêmica da polícia e das Forças Armadas, a percepção de uma maior segurança continua garantindo a aprovação de Bukele no país.
Números indicam queda da adoção de Bitcoin
Os dados do estudo parecem apontar para uma queda do interesse por Bitcoin entre os cidadãos de El Salvador.
Afinal, o portal de notícias em espanhol Criptonoticias observou que a taxa de adoção de Bitcoin entre os salvadorenhos esteve em patamares bem mais altos em anos anteriores.
Uma das fontes do portal é um estudo semelhante, de janeiro de 2024. Com realização pela Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), ele apontou taxas de adoção de BTC acima de 10%.
Mas a queda é ainda mais expressiva quando se leva em conta dados anteriores. Por exemplo, pesquisas realizadas em 2022 e 2021 mostraram que o uso de BTC ficou frequentemente acima dos 20%. O Criptonoticias também destacou que “há poucas expectativas de que o interesse pelo Bitcoin aumente”.
Recentemente, em entrevista para a revista Time, Bukele admitiu esperar taxas de adoção mais altas. Principalmente depois que ele introduziu a lei que deu status de moeda legal ao BTC em setembro de 2021.
No entanto, o presidente reforçou que adoção sempre voluntária:
“O Bitcoin não teve a adoção que esperávamos. Muitos salvadorenhos o utilizam, quase a maioria dos grandes comércios do país aceitam. Você pode ir a um McDonald’s, a um supermercado, pode pagar com Bitcoin no hotel. Não tem a adoção que esperávamos, mas o bom é que é voluntário. Ou seja, nunca obrigamos as pessoas a adotá-lo.”
Também afirmou que muitas pessoas se beneficiaram da valorização da moeda:
“Além disso, aqueles que economizaram em Bitcoin no momento em que o lançamos devem ter ganhado muito dinheiro. Graças a Deus por isso, que bom que tiveram esses ganhos. Os que decidiram não utilizar não tiveram esses ganhos. Mas, se o utilizarem agora, provavelmente terão ganhos no futuro.”
FMI respirando aliviado?
As falas de Bukele parecem demonstrar seu lamento, em certa medida, por uma adoção não tão grande quanto ele esperava.
Por outro lado, essas taxas de adoção mais baixas parecem ter beneficiado El Salvador junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sem dúvida, o fato de a economia do país não ter sido efetivamente “tokenizada” após tantos anos tem um papel importante nisso. Afinal, diminui o risco de flutuações grandes nos preços e nas reservas do país com as oscilações do preço da moeda.
O FMI já havia afirmado, anteriormente, que um dos maiores temores era a adoção massiva do Bitcoin pelo país. E declarou ser um objetivo do órgão manter essa taxa a um nível baixo.
O tema é sensível porque Bukele ainda depende de um acordo com o FMI para colocar em marcha novos planos. Afinal, apesar da aprovação elevada do governo do país, a instabilidade econômica ainda é um tema sensível em El Salvador. E a entrada de um valor elevado em dólares poderia ajudar nesse sentido.
Apesar disso, o presidente não está disposto a recuar da “Lei Bitcoin”, que tornou a moeda de curso legal. Afinal, essa é uma das marcas de sua gestão. Além disso, com uma adoção baixa por parte da população, vem se tornando um tema pouco relevante para que as negociações com o FMI avancem.
“Para mim, é uma opção que oferecemos aos salvadorenhos. Não vou dizer que é a moeda do futuro, mas há muito futuro nessa moeda. Não sou só eu que digo isso (…) mas ainda éramos poucos em 2021. Agora você tem os maiores fundos do mundo, literalmente os maiores fundos do mundo… a BlackRock tem o maior ETF de Bitcoin.”

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