Líderes do setor cripto pretendem arrecadar US$ 100 mil para campanha de Kamala Harris

Com a campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos se aquecendo, um grupo de líderes da indústria cripto decidiu arrecadar fundos para apoiar a candidatura da democrata Kamala Harris. O objetivo é buscar a “simpatia” de Harris para o setor cripto, caso a atual vice-presidente do país seja eleita. A eleição será finalizada em novembro.
O grupo pretende arrecadar US$ 100 mil por meio de um evento que será realizado no dia 13 deste mês de setembro, em Washington. Os ingressos-doação variam entre US$ 500 e US$ 5.000.
A Blockchain Foundation é a organização que está à frente da iniciativa. O projeto sinaliza que há pessoas na comunidade cripto que estão apoiando a candidata, em vez do seu concorrente republicano, Donald Trump. Apesar de ele tradicionalmente cortejar esse grupo, e ela, por outro lado, ainda não ter concretamente se posicionado sobre o mercado de criptomoedas.
Harris lidera pesquisas

Segundo pesquisa nacional divulgada pelo FiveThirtyEight, Kamala Harris tem, atualmente, uma vantagem de 3,2% sobre Trump.
A candidata tem conseguido se manter na liderança desde o início de agosto. Foi exatamente há um mês que o presidente os Estados Unidos, Joe Biden, anunciou sua decisão de não tentar a reeleição e passou o bastão para Harris, endossando a candidatura dela.
Conforme Cleve Mesidor, diretor-executivo da Blockchain Foundation, a arrecadação de fundos para a campanha de Kamala Harris é um indicativo da importância do setor cripto para os democratas. Especialmente em um momento no qual uma nova administração se projeta.
Segundo o executivo, o evento pode, inclusive, abrir diálogos com a administração de Harris. No sentido de como a gestão dela poderia apoiar o setor cripto e melhorar o acesso a capital financeiro, particularmente para pessoas de cor.
Desafios e conversas
Em princípio, Harris carrega o legado da administração Biden, que foi um tanto dura com a indústria de criptomoedas. Durante a gestão dele, o setor enfrentou expressivos desafios relacionados à regulação, por exemplo. Isso porque a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos tomou medidas coercitivas contra grandes empresas dessa indústria, por supostas violações da legislação.
Em resposta, companhias proeminentes no universo cripto, como Coinbase e Ripple, gastaram, juntas, US$ 120 milhões em 2024, para influenciar a eleição presidencial nos Estados Unidos. Esse valor foi para fundos de oposição à candidatura democrata, a exemplo do Fairshake.
Por outro lado, representantes da campanha de Kamala Harris têm conversado com executivos do setor cripto, em busca de mais engajamento com essa comunidade.
Como exemplo, temos a participação de Brian Nelson, consultor sênior da campanha de Harris, durante a Convenção Nacional Democrata. No evento, ele indicou que a candidata iria apoiar políticas de incentivo a tecnologias emergentes, incluindo as criptomoedas.
Expectativa do setor é de otimismo
Na prática, o que o cenário tem sugerido é que, independentemente de quem for eleito, a indústria de criptomoedas está otimista com o futuro do setor no país. E acredita no potencial para estabelecer construtivas políticas cripto durante a nova administração.
Ou, pelo menos, é essa a imagem que grandes líderes do setor tem enfatizado. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou que espera que haja um posicionamento positivo para as criptomoedas na próxima gestão. Seja qual for o partido vitorioso, democrata ou republicano.
Donald Trump, por sua vez, não perde a chance de acusar Harris de ser “anti-cripto”. Para tanto, cita como argumento a ligação dela à administração de Biden.
Apoiadores de Harris, no entanto, preferem não associar diretamente a questão das criptomoedas a uma postura partidária. Enquanto isso, congressistas liderados por Wiley Nickel pediram ao Partido Democrata que adotasse uma abordagem mais voltada para o futuro, com relação aos ativos digitais.
Em uma carta para o presidente do Comitê Nacional Democrata, Jaime Harrisson, eles argumentaram que Kamala Harris têm a oportunidade de reconfigurar a postura pública do partido no que diz respeito a ativos digitais.
O primeiro debate entre os candidatos presidenciais Donald Trump e Kamala Harris está marcado para o dia 10 deste mês. Há uma expectativa, portanto, de que ambos deixem mais claros seus posicionamentos com relação à indústria cripto.
Um apoio que não se pode ignorar
Um recente relatório da Public Citizen mostrou que empresas de criptomoedas são, agora, responsáveis por quase metade de todas as doações corporativas para as eleições dos EUA neste ano.
Conforme o relatório, nos últimos três ciclos eleitorais, as doações de empresas de criptomoedas representaram 15% de todas as contribuições corporativas no país.
O levantamento revela, ainda, que, em termos de gastos eleitorais nos Estados Unidos, as empresas de criptomoedas estão atrás apenas dos gigantes dos combustíveis fósseis.
No Brasil, doação em criptomoeda não é permitida
Segundo decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições deste ano, no Brasil, não se pode fazer doações em criptomoedas para campanhas eleitorais.
Em outras palavras, os candidatos só podem receber doações para suas campanhas políticas no país por meio de moedas fiduciárias. As eleições no Brasil ocorrem no dia 6 de outubro (primeiro turno) e no dia 27 de outubro (segundo turno). Os brasileiros vão às urnas votar em prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.

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