Como lidar com o aumento da emissão de carbono gerado por IA e criptoativos

Relatório recente da International Monetary Fund (IMF) chama atenção para a necessidade de reduzir o impacto da inteligência artificial e dos criptoativos sobre a emissão de carbono. Segundo a análise, o consumo de energia elétrica já é alto e, pior, tende a crescer, se não agirmos rapidamente.
Conforme os dados apresentados pelo IMF, por conta do grande volume de energia exigido para minerar criptoativos, uma transação com Bitcoin equivale ao que uma pessoa consumiria em três anos, em Gana ou no Paquistão, por exemplo.
Quando se trata de inteligência artificial, o levantamento mostra que questionamentos ao ChatGPT consomem 10 vezes mais eletricidade do que buscas no Google. Isso porque os centros de processamento de dados (data centers) requerem muito mais energia para seu funcionamento.
Previsões são preocupantes
Conforme os números divulgados pelo IMF, a mineração de criptomoedas e os centros de processamento de dados com uso de IA respondem, juntos, por 2% da demanda global de energia elétrica (confira gráfico a seguir).
Se nada for feito para reverter esse cenário, a previsão, segundo o instituto, é que esse percentual suba para 3,5% nos próximos três anos. Para se ter uma ideia, isso seria equivalente ao atual consumo do Japão, que é, atualmente, o quinto maior consumidor de energia elétrica no mundo.

Outro estudo do IMF sobre o tema revelou, ainda, que a mineração de criptomoedas pode ser responsável, até 2027, por 0,7% das emissões globais de gás carbônico (CO2). Além disso, a emissão de carbono por data centers poderia chegar a 450 milhões de toneladas até 2027, ou seja, 1,2% do total mundial.
Quando consideramos que estamos falando de apenas dois setores da economia global, e que estão entre os que mais se desenvolvem, os números são, de fato, alarmantes.
Redução e consumo inteligente de energia
De acordo com o IMF, uma possível solução para pelo menos mitigar essa situação seria o estabelecimento de novas políticas de impostos. “O sistema tributário é uma forma de orientar as empresas no sentido de reduzir as emissões”, defende o relatório.
Como exemplo, o instituto estima que um imposto direto de US$ 0,047 por quilowatt-hora (kWh) poderia levar a indústria de mineração de cripto ativos a diminuir suas emissões de dióxido de carbono. No caso dos data centers, a sugestão é uma taxa de US$ 0,032 por kWh.
O estudo alerta, no entanto, que as práticas atuais vão na direção contrária. Segundo o relatório, vários centros de dados e mineradores de criptomoedas contam com isenções fiscais e incentivos sobre renda, consumo e propriedade.
Políticas de incentivo

Por outro lado, o relatório destaca que o uso mais eficiente e inteligente da própria inteligência artificial poderia ajudar a reduzir a demanda por energia elétrica.
Daí a necessidade de políticas que estimulem o desenvolvimento de soluções de IA com impacto positivo sobre a sociedade e, especificamente, no que diz respeito à diminuição dos danos ao meio ambiente.
Outra medida abordada pelo instituto é uma ação integrada entre vários países com relação ao preço do carbono. Conforme o estudo, os países precisariam introduzir medidas adicionais equivalentes a um aumento do preço do carbono para 85 dólares por tonelada, até 2030.
Esse seria o valor necessário para limitar o aquecimento global a 2 graus,, o objetivo atual quando se trata de sustentabilidade ambiental. Na prática, isso estimularia a redução do consumo de combustíveis fósseis, o uso de fontes de energia mais limpas e maior eficiência energética.
Maior eficiência energética, aliás, é mais um dos pontos defendidos pelo IMF. Mesmo que não haja uma pressão sobre o preço, o entendimento a indústria de mineração de criptomoedas e os centros de processamento de dados com uso de IA deveriam utilizar energia de forma mais produtiva, ajudando a reduzir o consumo.
O compromisso do Brasil
Na 28ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de carbono em 48% até 2025, e em 53% até 2030 (em comparação com os números registrados em 2005).
O país também planeja alcançar emissões líquidas neutras até 2050. A COP28 foi realizada no fim do ano passado, em Dubai. Em 2025, o Brasil sediará a COP30, em Belém, no Pará.

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