Senadores querem barrar apostas na eleição presidencial dos EUA
Cinco senadores e três representantes da câmara dos Estados Unidos estão pleiteando a proibição das atividades de apostas relacionadas à eleição presidencial deste ano.O grupo bipartidário é composto por figuras proeminentes. Por exemplo, inclui os senadores Jeff Merkley, Richard Blumenthal e Elizabeth Warren. Também fazem parte dele os representantes Jamie Raskin e John Sarbanes, entre outros nomes.Os legisladores enviaram uma carta, recentemente, a Rostin Behnam, presidente da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). Nela, destacaram a influência perigosa que os mercados de apostas poderiam ter no cenário eleitoral.
Plataformas de apostas poderiam influenciar resultados
O grupo expressou preocupações sobre a possibilidade de bilionários utilizarem grandes apostas para influenciar os resultados das eleições. Afinal, isso prejudicaria a confiança da sociedade no processo democrático.Os legisladores também ressaltaram que as eleições não devem ser reduzidas a meros empreendimentos lucrativos. Segundo eles, isso comprometeria de forma decisiva a integridade do sistema eleitoral.
“As apostas políticas alteram as motivações por trás de cada voto, substituindo convicções políticas por cálculos financeiros.”
Portanto, na opinião do grupo, há o risco de que a “comercialização” das eleições nos EUA acabe minando a própria essência da democracia.
Last year, @RepRaskin & I warned betting on elections could undermine trust in our democratic institutions & further incentivize dark money in politics. Today, I joined my colleagues in support of @CFTC's proposed rule to ban betting on election outcomes. https://t.co/fygd9kLecS
— Rep. John Sarbanes (@RepSarbanes) August 5, 2024
Além disso, os representantes chamaram a atenção para as estatísticas alarmantes provenientes de plataformas como a Polymarket, que atraiu milhões de dólares em diversos mercados de apostas nas eleições.
O histórico de infrações regulatórias da plataforma, incluindo uma multa substancial imposta pela CFTC em janeiro de 2022, deixa ainda mais clara a urgência de abordar essas questões.
Aliás, faltam agora três meses para a realização da eleição presidencial dos EUA.
Polymarket permite apostas em diversos eventos
Lançada em 2020, a Polymarket opera como uma plataforma descentralizada de apostas. Os apostadores podem registrar palpites nos resultados de diversos tipos de eventos usando criptomoedas.Os usuários se envolvem em apostas em vários mercados. Por exemplo, e isso é especialmente importante aqui, podem apostar no resultado da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, que ocorrerá em novembro deste ano.A plataforma utiliza a stablecoin USDC, permitindo que os usuários comprem e vendam seus tickets baseados na probabilidade de eventos futuros.
Plataforma também tem mercados de criptos
Além disso, a Polymarket oferece oportunidades de apostas na indústria de criptomoedas. Afinal, os usuários podem tentar prever os preços futuros de criptos como o Bitcoin.Recentemente, a Polymarket atingiu volumes recordes de negociação.Com o crescimento do interesse pela eleição nos EUA, a plataforma atingiu US$ 1 bilhão em volume de negociação mensal pela primeira vez. Além disso, registrou US$ 343 milhões apenas em julho.Isso representa um aumento significativo, de mais de +200%, em relação aos US$ 111 milhões de junho. Também significa um crescimento de mais de +440% na comparação com os US$ 63 milhões de maio.
Plataforma ainda tenta captar investimentos
Apesar desses valores impressionantes, a Polymarket vem lutando para gerar receita suficiente.A plataforma levantou com sucesso US$ 70 milhões em duas rodadas de financiamento. Isso incluiu uma série B de US$ 45 milhões com a participação do cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin.Além disso, em um esforço para simplificar o processo de integração, a Polymarket fez parceria com a plataforma de pagamentos MoonPay no final de julho. Afinal, o objetivo era facilitar a vida dos usuários que estão fora do universo cripto. E isso se tornou possível especialmente com pagamentos via cartões de débito e crédito.“Os mercados de apostas são a manifestação tecnológica mais pura da democracia liberal”, escreveu Yuga Cohler, em um post recente no X (antigo Twitter). Ele é um líder de engenharia da exchange de criptomoedas Coinbase.
Kamala encosta em Trump nas odds dos sites de apostas
Ao desistir de concorrer à reeleição a presidente dos EUA, Joe Biden pode ter aberto as portas para uma disputa mais acirrada do que a que se desenhava até então. Afinal, a atual vice-presidente, Kamala Harris, parece ter aumentado as chances de uma vitória democrata em novembro.Pelo menos é isso que mostram as pesquisas mais recentes. Por exemplo, em um levantamento divulgado nesta terça-feira (6), Kamala aparece com uma pequena margem sobre o candidato republicando Donald Trump: 51% a 48% no voto popular.A candidata democrata também aparece na liderança em alguns “swing states”, segundo uma média de diversas pesquisas recentes. Portanto, também se tornou uma ameaça real ao ex-presidente Trump na disputa pelos colégios eleitorais.O desempenho recente de Kamala nos levantamentos não passou despercebido pelos sites de apostas — e nem pelos apostadores. Afinal, as odds de uma vitória da candidata estão cada vez mais próximas das de Trump.Por exemplo, na plataforma bet365, Trump está atualmente com uma cotação de 1.73. Isso significa que um apostador terá R$ 173 de retorno (bruto) caso acerte um palpite de R$ 100 no candidato republicano. No caso de Kamala, a cotação é de 2.10 — portanto, o retorno seria de R$210 no mesmo cenário.Já em outras casas de apostas, a situação é ainda mais apertada. Por exemplo, a Betfair oferece odds de 1.83 para Trump e 1.91 para Kamala.Todas essas cotações foram verificadas no dia 6 de agosto e podem variar ao longo do tempo. No entanto, refletem um cenário bem distinto daquele que os democratas viviam com a candidatura de Biden.Apesar disso, há um longo caminho até as eleições em novembro e muita coisa pode acontecer. Aliás, isso ficou claro com o atentado sofrido por Trump.
Leia mais:
- Bitcoin reage após segunda-feira sangrenta com expectativa de corte de juros nos EUA
- BTG cria ferramenta que compra e vende melhores criptomoedas automaticamente
- Austrália descobre mais de 2 mil carteiras de criptomoedas fraudadas