Posts de influenciadores financeiros sobre bets crescem 28% no Brasil

O burburinho em torno das apostas online, conhecida como bets, vem crescendo entre também entre influenciadores financeiros no Brasil. A sétima edição do estudo Finfluence, da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), mostrou que, no primeiro semestre de 2024, o número de citações a bets por esses influencers aumentou 28%.
A pesquisa mostrou que as publicações desses influenciadores alcançaram 1.846 interações médias – sinalizando, portanto, a busca por informações sobre o tema. Entre as postagens, a maioria tem conotação negativa (47,7%), enquanto apenas 5% têm inclinação positiva a essas apostas.
Conscientização e orientação

A análise da Anbima, porém, destaca que, apesar de grande parte dos influenciadores financeiros criticarem as bets, há uma tendência de ir além e explicar como esse fenômeno funciona.
Isso é importante porque os influenciadores podem desempenhar um papel relevante na
conscientização do público. Ou seja, oferecer algum tipo de informação ou orientação sobre os riscos financeiros e psicológicos das apostas online.
“Nesse sentido, eles estão alinhados com as crescentes preocupações de entidades e órgãos governamentais com os vícios em apostas online”, enfatizou o estudo.
A associação mapeou os sete principais temas abordados pelos influenciadores, tanto pessoas físicas quanto perfis corporativos, quando o assunto são bets.
- Noticiário sobre apostadores com histórias de pessoas que perderam grandes quantias (19%).
- Temas educacionais (18,1%).
- Comparação das apostas com ativos específicos, como as ações (15%).
- Regulamentação das apostas online (12,1%).
- Pesquisas sobre apostas online (11,9%).
- Comparativos entre o mercado financeiro lícito e golpes com apostas (11,7%).
- Cassinos e outros (11,7%).
Um dos pontos que os influenciadores procuram esclarecer é que as bets devem ser vistas como uma forma de entretenimento, e não como investimento. O relatório ressalta, ainda, que os influencers alertam sobre supostos ganhos no curto prazo, que podem acabar resultando em perdas também muito rápidas.
Um ponto que merece discussões mais aprofundadas é exatamente sobre a legalização de cassinos e apostas esportivas. Perfis corporativos costumam noticiar propostas nesse sentido. Esses debates são relevantes porque, segundo o Raio X do Investidor brasileiro, 14% da população (cerca de 22 milhões de pessoas) declararam ter feito pelo menos uma aposta online durante o ano.
É uma quantidade bem considerável de apostadores. E muitos dizem que jogam para ganhar dinheiro rápido e ter retorno alto – que não passam de mitos associados à onda das bets.
Política fiscal também é tema em alta
O estudo revelou, ainda, que as pautas macroeconômicas também estão mobilizando os influenciadores e seus seguidores. Isso porque, no primeiro semestre deste, o monitoramento verificou que os “finfluencers” acompanharam de perto a política fiscal brasileira, fator que influencia os ativos no mercado.
Entre os principais assuntos abordados pelos influenciadores financeiros nessa área está a questão fiscal propriamente dita (como arrecadação x gastos do governo e definição de metas). Além disso, várias postagens abordaram a reforma tributária (que teve a fase relativa a atributos sobre o consumo regulamentada em julho de 2024).
A pesquisa identificou 9.196 menções ao tema política fiscal, sendo 4.434 relacionadas às contas do
governo e 4.762 à reforma tributária. O engajamento do público foi considerado positiva, uma vez que o monitoramento registrou 2.852 interações médias nas publicações que mencionaram contas do governo e 2.655 no caso de reforma tributária.
Cresce atuação dos influenciadores financeiros
A sétima edição da pesquisa da Anbima mostrou aumento na quantidade de influenciadores financeiros, de perfis, de publicações, de seguidores e de engajamento. Como resultado, o estudo destaca o papel desses profissionais no ecossistema de educação financeira no Brasil.
Como argumento, o estudo aponta dois indícios: o engajamento nas publicações e o aumento da audiência. A Anbima mostra que engajamento bateu recorde, com 2.443 interações médias por postagem, 33,7% mais que no relatório anterior.
Além disso, a audiência cresceu 8,3%, chegando a 225,3 milhões de seguidores. Quando se compara esse número com o primeiro levantamento da associação sobre esse tema, publicada em 2021, verifica-se um aumento de 204,5% de lá até o momento atual.
No que diz respeito às redes sociais mais populares entre esse segmento, o estudo mostra que o YouTube continua a liderar o engajamento. Cada vídeo tem, em média, em média, 9.023 interações (alta de 2,2%). Isso representa 269,3% a mais do que a média de 2.443 de todas as publicações nas quatro redes.
A Anbima constatou, ainda, que o modelo de videocast é impulsionado principalmente pela participação de convidados famosos. Os cortes desses videocasts são utilizados no YouTube Shorts e em outras redes, ajudando a disseminar ainda mais as postagens. Eles também contribuem com uma maior frequência de recomendações do algoritmo do YouTube.

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