Galípolo deve ser indicado para presidência do BC em agosto

Lula deverá indicar Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central (BC) em agosto, como forma de não atrapalhar a transição.
Segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, essa ideia partiu do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto. Ele teria sugerido a data para o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Campos Neto justificou que, se o anúncio fosse feito com muita antecedência, poderia dividir o poder no BC até o fim do mandato atual. Por outro lado, se fosse feito no fim do ano, acabaria dificultando a transição.
Campos Neto pede transição no Banco Central
Campos Neto já havia dito este ano que torcia para que a transição da presidência fosse “o mais suave possível”. Essa fala do presidente do Banco Central aconteceu na 10ª edição do Bradesco BBI Brazil Investment Forum. Na ocasião, ele explicou que:
“Eu acho que essa coisa de mudar de um governo para o outro e o governo que entra fala mal do outro e a gente ter uma transição que não é civilizada é muito ruim para a parte institucional do Brasil.”
Lula chamou Galípolo de “menino de ouro”
Gabriel Galípolo é economista e atual diretor de Política Monetária do Banco Central. Além disso, ele já era considerado a principal opção do governo para presidir a instituição.Em junho, o presidente Lula chamou Galípolo de “menino de ouro”. Também o elogiou pela sua competência e honestidade. No entanto, não confirmou que seria ele o indicado.Lula disse à época que preferia consultar o Senado antes de formalizar uma indicação. Afinal, a Casa é responsável por aprovar ou não as indicações para presidente do BC. Portanto, a ideia é que o Congresso não demore a aprovar a indicação. Para isso, Lula afirmou que gostaria primeiro de conversar com Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado.O mandato de Campos Neto termina no dia 31 de dezembro. No entanto, o seu sucessor só pode assumir o cargo depois de o Senado aprovar a nova indicação.Aliás, Campos Neto também considera importante que a sabatina do novo presidente aconteça antes do fim do ano. Afinal, se esperar até sua saída, o Congresso já estará em recesso.
Galípolo também era a aposta do mercado
O “menino de ouro” também era a aposta do mercado para assumir a presidência do Banco Central. Afinal, em maio, um levantamento feito com consultorias e analistas mostrou que 91% apostavam no nome de Galípolo.O segundo colocado nesse levantamento, com apenas 9%, era Paulo Picchetti, que havia assumido como diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos.Para os agentes do mercado, o momento da indicação também era considerado importante segundo esse levantamento. Afinal, para 73%, a indicação deveria ser feita a partir de outubro. Por outro lado, apenas 27% apostavam em uma antecipação do anúncio para o terceiro trimestre.
Mudança no BC vai devolver a “normalidade”, diz Lula
A atual relação do presidente Lula com Campos Neto é bastante turbulenta, devido a discordâncias quanto à política de juros mantida pelo BC.Apesar de uma trégua na semana passada, que ajudou a derrubar a alta do dólar, Lula considera o patamar atual da taxa Selic um obstáculo para o desenvolvimento econômico do país.Por isso, ele critica constantemente Campos Neto, e não vê a hora de mudar o presidente da instituição. Aliás, mês passado Lula afirmou que as coisas “vão voltar à normalidade” quando ele deixar o cargo.Além disso, Lula disse que Campos Neto é um “adversário político, ideológico e adversário do modelo de governança que nós fazemos”.As críticas de Lula se deram principalmente devido à recente manutenção da Selic a 10,5%. Segundo ele, a decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) foi “uma pena”. Além disso, o presidente afirmou que quem sai perdendo “é o Brasil, é o povo brasileiro”.
Governo Lula também terá a maioria dos diretores do BC
Além da troca do presidente da instituição, o poder Executivo indicará dois diretores. Eles ocuparão as diretorias de relacionamento institucional e de regulação. Portanto, substituirão, respectivamente, Carolina de Assis Barros e Otávio Ribeiro Damaso.Com isso, o atual governo, que já tem quatro diretorias com nomes de sua indicação, passará a contar com seis. Esse é um fator importante não apenas para decidir se haverá ou não alterações na Selic, mas também a sua magnitude.Por exemplo, em outra reunião do Copom, que decidiu por uma redução de 0,25 ponto na taxa Selic (de 10,75% para 10,5%), os diretores nomeados por Lula foram derrotados. Afinal, eles queriam uma redução maior, de 0,5 ponto percentual. Na ocasião, Campos Neto deu o voto de desempate que gerou uma redução mais suave da taxa.
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